top of page

Manuscritos da Matriz S. Paulo de Muriaé (Parte II)

Atualizado: 11 de mar. de 2023

Conflito em Família — Das Buscas por Dornellas e Gusman



RITTA DORNELLAS — Entre os registros paroquiais de batismo na Igreja Matriz S. Paulo de Muriaé, encontra-se o de Ritta (somente com o primeiro nome e dois Ts), filha de Francisco Dornellas da Costa e Maria Querubina da Conceição. O registro está na ficha de identificação de nº 1900 do Memorial Municipal.

Ritta teria sido batizada com um mês de vida em 23/06/1867. Data de nascimento marcada como 25/05/1867. Os padrinhos: Antonio José D’Oliveira Lomêo e Maria Antonia D’Oliveira, e o Vigário foi Delfino Cesar, na página 40 do Livro 2 (1853 a 1886).



RITA DA CONCEIÇÃO DORNELLAS — Há ainda um segundo registro com o nome de Rita (com um T somente),. A diferença entre as duas "Ritas" é de onze anos. Este registro foi feito em 16/06/1878 e Rita estaria com 8 dias de vida quando foi à pia batismal. O documento mostra a data de nascimento como 08/06/1878. A anotação está na ficha 3740, com mesma filiação: Francisco Dornellas da Costa e Maria Querubina da Conceição. Os padrinhos: José Altino e Maria Albina, e o registro na página 163 do Livro 2 (1853 a 1886).

Levando em consideração que Rita era casada com Honório Gusman (na foto) podemos concluir que é o registro do batizado de Rita da Conceição Dornellas.

Casamento

Registrado no Cartório de Registro Civil de Muriaé: a certidão coloca a data de nascimento de Rita em 07/06/1878 — Livro 003 B, Fl. 099, Termo 0046. Como vimos na Part I deste post, Rita "Ritinha" Dornellas e Honório Gusman tiveram 16 filhos no total: Maria (Garrichinha), Adolfo, Honorina, Julieta, Oswaldo, Honorinho, Augusta (Zinha), Heráclito, José, Francisca (Chiquinha); João, Elvira, Isabel, Paulo, Nicolau e Jairo



IRMÃOS DE RITA DORNELLAS

Este site não tem informações da família de Rita "Ritinha" da Conceição Dornellas. Reza a lenda em família que havia um conflito entre os Dornellas e Gusman. Não se sabe desde quando ou porquê. Conseguimos porém, vários registros de batismos com os nomes dos pais de Ritinha, Francisco Dornellas da Costa e Maria Querubina da Conceição.

Os filhos são: Marcianno (1863), Ritta (1867), Francisco (1872), Antonio (1874), Rita (1878), Alvaro (1880) e Olinda (1884).

O casal também aparece como padrinhos de várias crianças, inclusive o de uma escrava, o de uma índia Pury e de uma irmã da bisavó do museólogo João Carlos Vargas, que nos ajudou nessa pesquisa, ela também filha de Dornellas.


Outro fato interessante é que o nome de Francisco Dornellas da Costa foi encontrado numa lista de moradores da cidade em 1867, já casado, onde com 40 anos (seu provável ano de nascimento seria 1827), fazendeiro e tendo como pai José Dornellas da Costa. O mesmo documento mostra seu irmão João Dornellas da Costa, com 32 anos, casado, lavrador.

ALmanak MG
.pdf
Fazer download de PDF • 59.71MB

Na página 231 do “Almanak da Província de Minas Gerais – 1872-1873”, consta o nome de Franscisco Dornellas da Costa, como Fiscal Interino da Câmara Municipal (prefeitura) de São Paulo do Muriahé.

Segundo informações obtidas por um historiador e morador do bairro Dornellas em Muriaé, MG, os Dornellas teriam vindo de Santa Luzia de Carangola (hoje Carangola). Eram 3 irmãos. Possivelmente com tais informações seja possível fazer uma pesquisa mais aprofundada naquela cidade.


Na página 238 do “Almanak” sob o Curato do Divino, consta ainda o nome do Tenente Jacob Dornellas da Costa, como o 4º Juiz de Paz daquele distrito e no mesmo documento na página 271 como “cafelista”, onde também figuram Israel Dornellas da Costa e Manoel Dornellas da Costa, este último também consta na página 389 como “Dito Cirurgião” do 88º Batalhão na Freguesia e Distrito de São Sebastião da Serra do Salitre. Outro nome entre os fazendeiros importantes da região é Vicente Dornellas da Costa.


Entre os nomes que merecem atenção estão os “fazendeiros” Alferes Antônio d’Ornellas Pedrosa (“Alferes” é título equivalente ao segundo-tenente nos dias de hoje) e Jacob da Costa Ornellas (pág. 248), que aparecem sob os registros da Freguesia e Distrito de Nossa Senhora da Gloria e 8º Batalhão da Reserva (Parada da Pça de S. Januário de Ubá). O Senhor de Engenho e Tenente Joaquim Dornellas da Costa aparece nas páginas 256 e 386 e o cafelista Manoel Francisco Dornellas, na 256.


OUTRAS FONTES HISTÓRICAS

Vale aqui mencionar uma curiosidade, encontrada na tese de Vitória Fernanda Schettini de Andrade para a Universidade Federal do Rio de Janeiro — OS SERTÕES DE SÃO PAULO DO MURIAHÉ TERRA, RIQUEZA E FAMÍLIA NA ZONA DA MATA MINEIRA: 1846-1888 — O trabalho acadêmico mostra que ao consultar os livros de batismos e casamentos na Matriz São Paulo de Muriaé, entre os anos de 1850 a 1886, foram enumerados 142 atos de batismos de índios, o equivalente a 2,39% do total.


Os escravos e libertos equivaliam a 16,08% e a categoria dos livres 81,53%. O estudo se propõe a descortinar um passado pouco conhecido e fala de um complexo universo de ocupação da Mata Mineira, “onde mesmo com o batismo de índios em proporções reduzidas se comparadas a escravos, libertos e livres, foi somente depois da chegada do primeiro padre da freguesia, Antônio Caetano da Fonseca*, que se iniciaram os registros de batismos naquela Paróquia”.

O Rev. Antônio Caetano da Fonseca foi quem batizou pelo menos três filhos de Miguel Gusman e Maria Schüller (Amélia, João e Miguel).


No interessante trabalho acadêmico citado acima foram considerados a formação familiar e os mecanismos de sucessão de herança como meio de perpetuação ou mesmo de crescimento e poder pessoal, os casamentos consanguíneos, a ilegitimidade e os laços de parentescos gerados a partir do batismo.


No recenseamento de 1872, São Paulo do Muriaé era geograficamente um vasto território, composto por 11 (onze) distritos (em parênteses com seus respectivos nomes atuais):

São Paulo do Muriahé (Muriaé), Nossa Senhora das Dores da Vitória (Dores da Vitória), Nossa Senhora da Glória (Itamuri), São Francisco do Glória (São Francisco do Glória), Santa Luzia do Carangola (Carangola), Divino do Espírito Santo (Divino), São Sebastião da Cachoeira Alegre (Cachoeira Alegre), São Francisco de Assis da Capivara (Palma), São Francisco de Paula da Boa Família (Boa Família), São Sebastião da Mata (Eugenópolis)1 (Andrade, 1995: 155).


Quer saber mais sobre a história de Muriaé? Clique aqui.


 

1 Os distritos de Nossa Senhora das Dores de Vitória e Divino Espírito Santo encontravam-se neste momento na situação de Curato, ou seja, sob a responsabilidade de um vigário, ou coadjutor de pároco.


67 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Caderno de Recordações

Originalmente este caderno continha a História de Lauriete Gusman, escrito por sua mãe Maria da Penha. Por vontade própria, Lauriete excluiu as páginas escritas pela mãe e reencadernou o livro em bran

Comments


bottom of page